Eletricitários de Minas entram em greve por tempo indeterminado

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O ano de 2015 começou cheio de promessas e expectativas, com o “novo” governo prometendo “um futuro promissor para a Cemig”. Entretanto, após meses buscando mudanças, com inúmeras mesas temáticas sem nenhum avanço e com 14 dias de vigília tentando viabilizar soluções, não teve outro jeito: diante de tanta enrolação, a categoria decidiu que agora é greve!

Com a maior participação registrada em assembleias neste ano, mais de 2.253 trabalhadores decidiram, democraticamente, iniciar uma greve por tempo indeterminado a partir de hoje (25), para que as reivindicações da categoria sejam levadas a sério.

Os eletricitários da Cemig saíram em passeata pelo centro de Belo Horizonte, na manhã desta quarta-feira (25) para marcar o início da greve da categoria. A concentração aconteceu em todas as bases operacionais do Estado. Trabalhadores de Betim, Igarapé, Ouro Preto, Itabirito se encontraram em frente à sede da empresa, no bairro Santo Agostinho, região Centro-Sul da capital, e depois seguiram a pé até a praça da Estação.

Lucro
O lucro da Cemig até o terceiro trimestre deste ano foi de R$ 2,2 bilhões, valor acima do registrado no mesmo período de 2014. O resultado das assembleias mostra que os eletricitários não são bobos e que não irão aceitar a desculpa esfarrapada da Cemig “de crise econômica” para impor arrocho e perdas aos trabalhadores.

Começamos nesta quarta-feira a greve e o sucesso do nosso movimento depende do engajamento e combatividade de cada um de nós. Precisamos estar juntos e mobilizados para defender o que é justo. Aumento real de 6% pela produtividade de 2014 e 4,87% pela produtividade de 2015; contratação imediata de 1.500 eletricistas aprovados no último concurso público da Cemig; assinatura de Acordo de Primarização e fim da terceirização das atividades-fim; Participação nos Lucros e Resultados (PLR) com distribuição linear; garantia deemprego; e o fim dos ataques aos nossos direitos como o seguro de vida em grupo, a Forluz e a Cemig Saúde.

Nossa greve cobra do governador Fernando Pimentel os compromissos assumidos por ele e sua equipe na campanha eleitoral de 2014 em carta entregue aos eletricitários. Vamos à luta! Chegou a hora de conquistar!

Audiência de conciliação
Durante a audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho ( TRT), na tarde de quarta-feira (25), foi discutida apenas a liminar da Justiça que prevê o quadro mínimo de 60% durante a greve, decisão inicial que permite à Cemig fazer convocações. Logo no início da reunião, o advogado da empresa, Marcelo Alkmin, reconheceu que a Cemig errou ao informar que o Sindieletro-MG não havia cumprido todos os ritos legais. Teria ocorrido, segundo ele, falha na redação do texto divulgado.

O Sindieletro argumentou com o desembargador e primeiro vice-presidente do TRT-MG, José Murilo de Morais, que o percentual estipulado para quadro mínimo é abusivo uma vez que não é calculado sobre toda a força de trabalho quadro próprio mais terceirizados) e inviabiliza o direito de greve. Os representantes do Sindicato também relataram os assédios e abusos cometidos pela empresa sobre os grevistas e os motivos que levaram a categoria a deflagrar greve.

O magistrado reafirmou o direito legítimo de greve dos trabalhadores para pressionar a negociação e disse que vai reexaminar a liminar. Enquanto isso, a decisão inicial continua valendo. A ata de reunião no TRT está disponível para os trabalhadores no site do Sindeletro.

Durante a audiência, representantes da Cemig disseram que deve ser agendada reunião para debater PLR nos próximos dias o que reforça a necessidade da categoria manter a mobilização criando um clima favorável à negociação.

Concessão de usinas
Na manhã desta quarta-feira (25), além da greve por tempo indeterminado, há outro fato relevante para a categoria: o leilão de renovação da concessão das usinas, a partir de 10 horas, na BM&FBovespa, em São Paulo. Segundo o Ministério das Minas e Energia, serão leiloadas 29 usinas, sendo 14 da Cemig. A empresa anunciou que vai disputar todas as 14, mas até o final da tarde de terça-feira (24), ainda não informou se será pela Cemig GT.

Nossa principal preocupação é o risco de privatização das usinas da Cemig, que, se concretizada, vai trazer um monte de consequências ruins para trabalhadores e sociedade, entre elas, o perigo de rompimento de barragens das hidrelétricas. A ganância certamente foi a principal causa do desastre de Mariana, e deve servir de exemplo.

Para reduzir ao máximo o risco, é fundamental o monitoramento rigoroso das barragens. Na Cemig, segundo o supervisor da usina de Nova Ponte, Márcio Santos, há um órgão na empresa que só cuida do monitoramento: a Gerência de Segurança de Barragens (MG/SB). As vistorias são permanentes e rigorosas.

Um Relatório de Segurança de Barragens, elaborado em 2014 pela Agência Nacional das Águas (ANA), apontou a precariedade do monitoramento e fiscalização das barragens no Brasil.

O destaque do “grande risco” ficou por conta das barragens das hidrelétricas e da mineração. A ANA afirmou que no setor elétrico o risco ainda é maior porque os reservatórios são enquadrados na categoria de usos múltiplos, ou seja, servem também para outras atividades, como pesca, irrigação e navegação. A experiência, inclusive nos Estados Unidos, demonstra que privatizar o uso é desastre certo.

Escrito por: Sindieletro-MG

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