Nota de repúdio à revista IstoÉ

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A Central Única dos Trabalhadores vem a público repudiar a Capa e a reportagem da revista Isto É desta semana, que contem manifestações de machismo e de misoginia contra a Presidenta da República, Dilma Rousseff.

A publicação traz uma reportagem intitulada “As Explosões Nervosas da Presidente”, que trata de supostos casos de descontrole emocional da presidenta, chegando a comparar Dilma com Maria I, a Louca, rainha de Portugal de 1777 à 1816.

Um dos trechos da reportagem, que tem um único intuito de desqualificar a primeira mulher presidenta do país, demonstra bem este comportamento machista relacionando as mulheres ao descontrole emocional, logo, inapropriadas para assumir cargos políticos e de liderança.

“Não bastassem as crises moral, política e econômica, Dilma Rousseff perdeu também as condições emocionais para conduzir o governo. Assessores palacianos, mesmo os já acostumados com a descompostura presidencial, andam aturdidos com o seu comportamento às vésperas da votação do impeachment pelo Congresso. Segundo relatos, a mandatária está irascível, fora de si e mais agressiva do que nunca”.

Desta maneira, a maior central sindical do país e quinta maior do mundo, que tem compromisso com as mulheres desde a sua fundação e luta incansavelmente pela democratização da comunicação sente-se no dever de emitir opinião a respeito de um fato que desrespeita os avanços das mulheres na última década e a ética do jornalismo.

Repudiamos toda forma de machismo. Repudiamos o jornalismo parcial, tendencioso, antiético e antidemocrático.

Lamentamos que um veículo com alcance nacional lance mão de calunia, difamação, com afirmações sem fonte e considerações genéricas e pessoalizadas sobre o modo de se fazer política. Este tipo de jornalismo prejudica todas as mulheres e toda a sociedade, que acredita que o jornalismo da revista é isento e democrático.

Descontrole emocional, medicação para esquizofrenia e coisas do tipo são linhas de argumentação que reiteramos ser machistas, fora de propósito e totalmente apelativas, vergonhosas e oriundas de cabeças que não superaram ainda o conceito do “sexo frágil”.

Quando o jornalismo e a imprensa utilizam argumentos com base em preconceitos, misoginia e estereótipos caminham por um percurso perigoso que impede avanços e conduz para uma sociedade cada vez mais desigual, intolerante e violenta.

Para o processo democrático é imprescindível um jornalismo sério, independente e livre do obscurantismo que desvaloriza o papel da mulher. A democracia brasileira será muito melhor e mais forte quando a imprensa brasileira publicar notícias com apuração dos fatos, utilizarem fontes confiáveis e respeitar a pluralidade de opiniões.

Em defesa da democracia;

Por mais mulheres na política e em outros espaços de poder;

Pela democratização da comunicação

#BoicoteNaIstoÉMachismo

Secretária Nacional da Mulher Trabalhadora CUT -Junéia Martins Batista
Secretário Nacional de Comunicação CUT – Roni Barbosa

Fonte: CUT

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