FLÁVIO BOLSONARO FAZ JOGO DE CENA NOS EUA AO ESCONDER TRAIÇÃO EM DISCURSO

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) usou a participação na audiência pública do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), nesta terça-feira (7), para um jogo de cena político.

Em um discurso de cinco minutos, o parlamentar adotou um tom performático em defesa do Brasil, mas omitiu concessões profundas e submissas contidas no documento oficial de 86 páginas que ele próprio protocolou na agência norte-americana no dia 1º de julho.

A contradição revela uma estratégia de duas caras: um discurso inflamado para o microfone e uma postura de subserviência no documento, oferecendo o Pix como moeda de troca em busca de interferência estrangeira no cenário eleitoral brasileiro.

No pronunciamento oral, o senador pediu que os Estados Unidos não imponham tarifas ao Brasil e cancelem a proposta de sobretaxa. Contudo, o texto formal enviado ao órgão dos EUA contradiz a retórica soberana e solicita apenas o adiamento da tarifa adicional de 25% sobre os produtos brasileiros, aceitando passivamente a legitimidade das taxas injustas.

O documento escrito expõe explicitamente a dimensão eleitoral da viagem. Nele, Flávio Bolsonaro argumenta que aplicar a taxação neste momento daria uma vitória política ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em uma postura de submissão, o senador apelou aos interesses de Washington ao afirmar que a distância entre a posição norte-americana e a de um eventual governo reformista de direita seria menor do que com a atual gestão federal.

Ele reiterou o viés eleitoreiro ao destacar que o Brasil terá eleições presidenciais e que em apenas 90 dias o cenário político mudará completamente, com grandes chances de troca de governo até janeiro.

A divergência mais grave e oculta do discurso público envolve o Pix, a ferramenta brasileira de pagamentos bancários instantâneos reconhecida internacionalmente. No relatório de 86 páginas entregue às autoridades dos Estados Unidos, o parlamentar brasileiro valida as preocupações norte-americanas e propõe um compromisso legislativo para restringir o sistema, assegurando que o Pix não será interconectado a plataformas de pagamento transfronteiriços não ocidentais. O documento de Flávio Bolsonaro chega a defender as empresas privadas estrangeiras ao ressaltar que o Pix não substitui funções oferecidas por cartões de crédito e débito, citando especificamente as bandeiras americanas.

Diante das câmeras e do público da audiência, o senador escondeu como um ator o ataque ao sistema nacional e sustentou uma narrativa oposta, declarando que o Pix não é um problema a ser corrigido, mas uma solução que não concorre com instituições norte-americanas.

A análise comparativa entre as duas manifestações evidencia uma manobra de comunicação calculada. Enquanto o ofício enviado ao USTR funciona como um instrumento técnico de negociação no qual o senador entrega a soberania tecnológica e financeira do Brasil em troca de favores políticos, o discurso oral buscou construir uma imagem de oposição firme e de suposta defesa dos interesses nacionais.

O comportamento repete o padrão de falsidade retórica observado durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, marcada pelo alinhamento automático com os interesses de Washington em detrimento do desenvolvimento brasileiro.

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos deve anunciar até o dia 15 de julho se aplicará ou não a tarifa adicional de 25% contra o Brasil. Até o momento, o documento oficializado pelo senador Flávio Bolsonaro com as ofertas de concessões estruturais permanece ativo e sem qualquer pedido de retificação junto ao governo norte-americano. Com informações do portal Vermelho.

Entenda por que a fala de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos foi mais um ato de traição ao Brasil