
DOCUMENTO ENTREGUE À FIEMG REIVINDICA 5% DE AUMENTO REAL, VALORIZAÇÃO DOS PISOS E REDUÇÃO DA JORNADA DE TRABALHO.
O pontapé inicial da Campanha Salarial Unificada dos metalúrgicos e metalúrgicas de Minas Gerais foi dado nesta sexta-feira (31/07), com a entrega da pauta de reivindicações à Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG). O documento marca o início das negociações para a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT 2026/2027), que reúne mais de 100 cláusulas e garante direitos para mais de 300 mil trabalhadores e trabalhadoras em todo o estado.
Durante o ato de entrega da pauta, os representantes das entidades sindicais reforçaram a necessidade de ampliar o debate sobre temas que dialogam diretamente com a qualidade de vida da classe trabalhadora, como o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho sem redução de salários e direitos.
“Esta campanha salarial vai muito além da discussão sobre índices econômicos. Estamos defendendo melhores salários, a valorização dos pisos, a manutenção dos direitos e um novo modelo de organização do trabalho. A redução da jornada e o fim da escala 6×1 são pautas que refletem uma necessidade da classe trabalhadora: mais tempo para a família, para o descanso, para a qualificação e para viver com dignidade. Esperamos que a FIEMG esteja aberta a um diálogo responsável, que respeite quem produz a riqueza da indústria mineira”, destacou Marco Antônio, presidente da FEM/CUT-MG.
Outro tema que ganhou destaque foi o enfrentamento à violência contra as mulheres e o combate ao feminicídio. Os dirigentes sindicais defenderam que o ambiente de trabalho também deve ser um espaço de conscientização, prevenção e promoção da igualdade.
“Nossa pauta também reafirma o compromisso do movimento sindical com a defesa da vida e da dignidade humana. O combate ao feminicídio e a todas as formas de violência contra as mulheres precisa ser assumido como responsabilidade de toda a sociedade, inclusive das empresas. Os locais de trabalho devem ser espaços de respeito, igualdade e conscientização. Ao mesmo tempo em que lutamos por salários e direitos, também defendemos relações de trabalho mais humanas, seguras e livres de qualquer tipo de violência ou discriminação”, lembrou Geraldo Valgas, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de BH/Contagem e Região.
Na pauta econômica, a principal reivindicação é um reajuste salarial correspondente à reposição integral da inflação medida pelo INPC, acumulada nos 12 meses encerrados em setembro, acrescido de 5% de ganho real.
Os trabalhadores e trabalhadoras também reivindicam o pagamento de um abono de R$ 973,50 para todos os empregados, a ser quitado em outubro deste ano.
Outro ponto importante é a valorização dos pisos salariais da categoria. A proposta apresentada prevê salário de ingresso de R$ 1.947,00 para empresas com até 400 empregados; R$ 2.076,00 para estabelecimentos com mais de 400 e até 1.000 trabalhadores; e R$ 2.568,50 para empresas com mais de 1.000 empregados. Além da atualização dos valores, a proposta elimina a menor faixa de piso salarial atualmente existente, representando um avanço na valorização da categoria.
Em relação às cláusulas sociais, a orientação do movimento sindical é preservar as conquistas históricas da Convenção Coletiva, promovendo apenas ajustes pontuais para ampliar e fortalecer os direitos já assegurados.
A comissão de negociação dos trabalhadores, formada pela FEM/CUT-MG, FITMETAL/CTB e FEMETALMINAS/FORÇA SINDICAL, agora aguarda a manifestação da FIEMG para definir a data da primeira rodada de negociações.