Paralisações e mobilizações por direitos tomam fábricas e ruas em SP

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Dois dias depois da aprovação do texto base da reforma Trabalhista na Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal, a classe trabalhadora reagiu com centenas de paralisações em todo o Brasil na greve desta sexta-feira (30). No estado de São Paulo, várias categorias realizaram paralisações, atrasos na entrada pela parte da manhã e mobilizações.

Os eletricitários mobilizaram suas bases e paralisaram em diversas cidades, dentre as quais Ilha Solteira, Tatuí, Franca,

Sumaré, Araraquara, Bragança Paulista, Campinas, Bauru, Limeira, Assis e São Carlos.
Em Sorocaba, os rodoviários paralisaram 100% do transporte na parte da manhã, em 42 municípios, percorrendo inúmeras cidades, de Araçariguama a Itararé. No centro comercial da cidade, mais de mil manifestantes realizaram um ato com ampla participação de inúmeras categorias, entre elas o setor vestuário. Em Jaú, trabalhadoras calçadistas estão paradas.

A greve dos bancários paralisou nesta sexta importantes centros administrativos dos grandes bancos e agências em corredores financeiros. Segundo informações do Spbancários, estão fechadas agências no centro velho e centro novo de São Paulo, na região da Paulista, no corredor da Faria Lima (zona oeste), corredor de São Miguel Paulista (zona leste), avenidas Maracatins e Ibirapuera (zona sul) e em Osasco. Estão fechados, ainda, os Casas 1 e 3 e o Vila, do Santander; CA Brigadeiro, Rua Jundiaí, ITM e CAT, do Itaú; o Telebanco, a Nova Central e o Prime Paulista, do Bradesco; além do prédio da Superintendência, CSI da Rua 15 de Novembro, Verbo Divino e SAC do Banco do Brasil e unidades da Caixa. Em um balanço parcial, mais de 212 locais de trabalhos fecharam hoje somente na capital de São Paulo, com mais de 30 mil trabalhadores. Os bancários de cidades como Limeira, Catanduva e Taubaté também aderiram às paralisações.

Os trabalhadores do Seguro Social e Previdência Social não ficaram de fora. Eles paralisaram, na capital, as agências do INSS de Ermelino Matarazzo, na zona leste de São Paulo, e no Brás, centro da capital. No interior, eles cruzaram os braços nas agências das cidades de Nossa Odessa, Americana, Campinas e Jundiaí.

Os metalúrgicos fizeram paralisações, panfletagem e atos em São Bernardo do Campo, Araraquara, Araras, Bauru, Cajamar, Itu, Sorocaba, São Carlos, Pindamonhangaba e Salto. Os trabalhadores do Instituto de Pesquisas Tecnológicas, na região do Butantã, na capital, e da Sirius, no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais, em Campinas, participaram dos protestos de rua.

Os trabalhadores da saúde paralisaram o atendimento nos hospitais Geral de Vila Nova Cachoeirinha; Centro de Referência e Treinamento DST/AIDS-SP, na capital; no Geral de Promissão; e no Centro de Atenção Integral à Saúde Clemente Ferreira, na cidade de Lins. Também não houve trabalho na Unidade da Divisão de Programas Especiais, que faz o controle de dengue, em Pinheiros, e em seis Unidades Básicas de Saúde da capital.

Além das paralisações, houve assembleia e ato no Hospital e Maternidade Leonor Mendes de Barros, no Hospital Guaianazes, no Hospital de Ferraz de Vasconcelos e no Hospital Heliópolis. Os trabalhadores do setor também protestaram contra o congelamento da verba para o SUS por conta do ajuste fiscal promovido pelo governo golpista de Michel Temer.

Os petroleiros interromperam a produção nas refinarias de Paulínia e Capuava (Mauá), além do Terminal de Alemoa, em Santos.

Do ramo alimentício, os trabalhadores realizaram ato na multinacional Igredion, em Mogi Guaçu, além de protestos em Itapira e Mogi Mirim. Jornalistas da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) paralisaram em São Paulo. E ainda hoje farão protestos na capital e nos estados do Rio de Janeiro, Brasília e Maranhão.

Na região do Vale do Paraíba, em São José dos Campos, os condutores e a CUT estiveram presentes nas garagens de ônibus e puderam testemunhar ações absurdas. A Polícia Militar de SP e a Guarda Civil fizeram vigília nas garagens Saens Peña e na Expresso Maringá em São José dos Campos e as empresas fizeram os motoristas dormirem no local. Na mesma cidade, na Garagem Cs Brasil, as mesmas forças atuaram. Nesta última, policiais impediram a entrada do sindicato e a realização de greve, obrigando os condutores a saíram com os ônibus da garagem.

Desde o início da manhã também aconteceram diversos bloqueios de vias pelo estado. As rodovias Santos Dumont, em Campinas, e Capitão Barduino, em Bragança Paulista, sofreram ações, além de trancaço na divisa entre Santos e São Vicente. Movimentos também bloquearam a Rodovia Helio Smidt, principal acesso ao Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, onde os trabalhadores fizeram protestos depois.

Os militantes do movimento sem-teto realizaram também um ato no Aeroporto de Congonhas durante a manhã e chegaram a ocupar faixas da Avenida Washington Luís. No centro de São Paulo, outro grupo do movimento por moradia resiste há dois dias na ocupação do prédio administrativo da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), reivindicando 10 mil unidades de moradia na capital e no apoio à greve.

A CUT, junto com os movimentos que compõem as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, realizou protestos em diversas cidades nesta manhã. Osasco, Guarulhos, São Bernardo, Sorocaba, Bauru, Presidente Prudente, Santos, São Carlos e Ribeirão

Preto foram algumas delas.

Toda esta mobilização tomou as redes sociais. A Hashtag #GrevePorDireitos, construída pela CUT, centrais sindicais e movimentos populares, foi o assunto mais discutido no Twitter durante toda a manhã desta sexta.

Ato na Paulista
Na parte da tarde, as mobilizações continuam. O ato na capital será no vão livre do Masp, na Avenida Paulista, a partir das 16 horas, e seguirá até a sede da prefeitura.

Escrito por: Vanessa Ramos, Bruno Pavan e Rafael Silva
Fonte: CUT

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