ZÉ MARIA FALA SOBRE REPRESSÃO MILITAR NA MANNESMANN

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Responsável por liderar greves históricas na Mannesmman em 1988 e 1989, José Maria de Almeida foi mais um dos entrevistados pela historiadora da UNIFESP, Marina Mesquita Camisasca, e pela professora da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), campus Governador Valadares, Tayara Lemos, como fonte do estudo sobre as violações dos direitos dos trabalhadores da Mannesmann e da Belgo-Mineira, no período da ditadura militar (1964-1988).

A entrevista, que aconteceu na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de BH/Contagem e região (Sindimetal), nessa segunda-feira, 15 de maio, tem o objetivo de subsidiar dois Inquéritos Civis, abertos pelo MPF/MG. Esses Inquéritos têm a finalidade de encontrar elementos que possam comprovar que essas empresas colaboraram com a ditadura e violaram direitos humanos, especialmente de seus trabalhadores.

Zé Maria relembrou vários acontecimentos que sugerem ter havido a parceira entre a Mannesmann e a ditadura militar no sentido de controlar e reprimir a luta dos trabalhadores por melhores condições financeiras.

BRUTALIDADE DA PM NAS AÇÕES SINDICAIS

Zé Maria se lembra de uma ação PM que, em função da brutalidade, resultou na conquista do reajuste salarial pleiteado pelos trabalhadores da Mannesmann.

“Numa distribuição de boletim da campanha salarial, na portaria da Mannesmman, em 1988, durante a troca de turno, uma viatura da PM chegou e simplesmente prendeu o caminhão de som, não permitindo que o mesmo fosse retirado do local para que os ônibus com os trabalhadores seguissem viagem. O Comando de Operações Especiais (COE-PM) foi acionado e chegou batendo em todo mundo, trabalhadores e sindicalistas. No outro dia, com mais de 100 trabalhadores machucados pela brutalidade da PM, a fábrica parou sozinha.

Temendo uma mobilização maior e prejuízos com o alto forno, a Mannesmann cedeu e os trabalhadores conquistaram 63% de reajuste salarial, reivindicado dentro da campanha salarial”.

Segundo Zé Maria, “as empresas se apoiam no policial da reserva ou da ativa para organizar o esquema de segurança deles. Não é só segurança patrimonial, é segurança que inclui também a vigilância dos trabalhadores. A segurança da Mannesmann, por exemplo, era e ainda é organizada por um tenente coronel da PM”.

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